segunda-feira, outubro 10

Outro dia estava dando uma espiada nos arquivos e, além de constatar que este blog já viu dias melhores, encontrei um curioso post datado de 28 de outubro de 2002. Chamou-me a atenção o seguinte trecho:
Também votei no Lula, mas seria bom que todo mundo ficasse com os pezinhos no chão. A distância entre a euforia e a depressão é bastante curta.
Proféticas palavras de um craque da análise política. Não, agora falando sério. A verdade é que, em se tratando de Brasil, ninguém jamais perdeu dinheiro por apostar no pior cenário possível.

***

Sempre acreditei que relatos do gênero não passassem de lenda urbana, mas finalmente aconteceu comigo. Consegui, na Siciliano, o "One soul now" (duplo!) dos Cowboy Junkies por incríveis R$ 4.99 mais o frete. A versão para "Seventeen seconds", do Cure, que vem no classudo disco de covers é matadora.
Com tanta coisa mais importante para resolver, eles me inventam esse referendo idiota sobre a proibição da venda de armas (que tal um sobre o voto facultativo?). Vou logo avisando que não tenho opinião formada sobre o assunto (que inveja dessas pessoas que sabem as respostas para todas as perguntas), mas como o Governo e a Globo fazem campanha aberta pelo "Sim", andei considerando seriamente a hipótese de anular o voto. Entretanto, após ver um comercial dos adeptos do "Sim" em que o repulsivo Felipe Dylon expele uma série de ruídos incompreensíveis, admito que fiquei bastante tentado a votar no "Não".

sexta-feira, setembro 30

Antes de começar ninguém imagina que possa ser assim, mas colecionar DVDs de filmes é um negócio extremamente viciante. Após ultrapassar a barreira dos cem, estou caminhando célere na direção da segunda centena (clássicos em sua maioria). Mesmo assim, a lista de desejos só faz aumentar.

domingo, agosto 7

Meu Deus, e essa eleição presidencial que não chega nunca... Juro que não tenho mais estômago para ver na tv esses quase comícios em que o Lula relembra, pela enésima vez, os valores morais que aprendeu com a mãe, derrama algumas lágrimas protocolares e dispara um discurso enfezado contra as elites que pretendem apeá-lo do poder. Depois de aturar o sociólogo e o torneiro-mecânico, minha utopia atual é ver sentado na cadeira de Presidente alguém que não adore ouvir o som da própria voz.

domingo, julho 31

Acredito que exista um consenso sobre como a memória afetiva, às vezes, nos prega algumas peças. No meu caso a culpa é da Sessão da tarde. Por incrível que pareça, ainda mais se considerarmos o padrão atual, houve um tempo em que ela era levada a sério pela Globo e bons filmes eram exibidos. Neste passado distante não me cansava de assistir às constantes reprises do meu, então, filme predileto: A fantástica fábrica de chocolate. Só que, conforme fui ficando metido a besta, comecei a também enxergar seus enormes defeitos: direção medíocre, visual tosco e momentos constrangedores (detesto a cena dos arrotos até hoje). Passou de predileto a ignorado.
Ainda no tempo do onça, a Globo costumava, na época das férias, substituir a Sessão da tarde pelo Festival Jerry Lewis, por quem eu tinha verdadeira adoração. Gostava de todos os seus filmes, menos de O professor aloprado, o que não deixa de ser irônico, afinal é considerado seu melhor trabalho (preciso revê-lo, portanto). Embora tenha deixado de lado a idolatria pelo Jerry Lewis - ninguém aguenta tanto histrionismo - ainda aprecio filmes como O meninão, Errado pra cachorro e O terror das mulheres, a cujo dvd não pude resistir. E não dá para não achar graça quando ele começa a gritar com aquela voz esganiçada: "Laaady! Hey, Laaady!".
Assassinato por morte, uma sátira aos detetives da literatura policial escrita pelo bamba Neil Simon, é outra obsessão que vem da mais tenra infância. Fazia séculos que não o assistia pela tv, e o dvd, um dos primeiros a sair por estas bandas, encontrava-se há tempos fora de catálogo. Mas para minha surpresa, sua distribuidora, num lampejo de lucidez, resolveu colocar uma nova tiragem no mercado, permitindo que minha sede de nostalgia fosse saciada. Confesso que após tantos anos de procura quase fui às lágrimas ao tê-lo, finalmente, em minhas mãos. Deste ponto em diante ficou evidente que o coitado do filme não teria como corresponder à imensa expectativa criada por mim. É uma boa diversão, o Peter Falk imita o Bogart com perfeição, o Peter Sellers está ótimo como Sidney Wang (clone do Charlie Chan), mas estas tentativas de regressão estão sempre condenadas ao fracasso. Talvez fosse mais saudável me contentar apenas com as lembranças, por mais traiçoeiras que elas possam vir a ser.

quarta-feira, junho 29

Jurei que não faria mais listas, porém encontrei um ótimo exemplo para uma hipotética lista de "DVDs que jamais serão lançados por aqui": o box com a primeira e única temporada da saudosa série Freaks and Geeks, mais fiel (e bem-humorada) transposição para a telinha daquele circo dos horrores conhecido como adolescência. Será que nenhuma distribuidora se habilita? O triste é que a série foi exibida pela Fox há sei lá quantos anos e nunca foi, ao menos, reprisada. Mesmo assim, para quem acompanhou, a abertura ao som de "Bad reputation", da Joan Jett, segue inesquecível.

segunda-feira, maio 30

Visto que sou um camarada de muito pouca originalidade, pensei em dar sequência ao tema das listas. De início, uma com as melhores femmes fatales a marcar presença em filmes noir. Pensei logo na Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwick) de "Pacto de sangue" e na Gilda (Rita Hayworth) de... uhh... "Gilda". Mas na hora de quebrar a cabeça e escolher outras candidatas, fui vitimado por uma velha inimiga: a preguiça. Decidi, então, optar por um tema mais fácil: as melhores comédias românticas (recentes, senão iria de Capra, Wilder, etc). As três primeiras escolhas foram tranquilas: "Feitiço do tempo", "Sintonia de amor" e "Harry e Sally". Só que pintou uma indecisão quanto às vagas restantes, por isso resolvi arquivar a idéia. Aliás, daqui pra frente, acho melhor arquivar qualquer post que fale sobre listas.

sexta-feira, abril 29

Admito que não botava muita fé nessa volta do House of Love, portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreso com o recente "Days run away". A psicodelia e as paredes sonoras ficaram para trás (afinal o tempo passa), mas os acordes cristalinos e as belas harmonias vocais continuam presentes. Optaram pela simplicidade. Neste aspecto lembra mais o primeiro disco (com exceção de "Christine") do que os produzidos trabalhos posteriores. Será que tem chance de ser lançado por aqui? É, eu achava que não...

quinta-feira, abril 7

Mais uma lista de filmes, agora com os melhores títulos sob o ponto de vista kitsch. Detalhe: só vale clássico. Pesquisei bastante mas só consegui encontrar quatro que preenchessem os requisitos necessários.

1. Suplício de uma saudade (Love is a many-splendored thing)
2. Deus sabe quanto amei (Some came running)
3. Amar foi minha ruína (Leave her to heaven)
4. Em cada coração um pecado (Kings row)

sexta-feira, março 18

Aproveitando que eu estou à toa (e sem inspiração), aí vai a minha lista com os cinco melhores filmes de tribunal

1. Testemunha de acusação (Witness for the prosecution)
2. 12 homens e uma sentença (Twelve angry men)
3. Anatomia de um crime (Anatomy of a murder)
4. O sol é para todos (To kill a mockingbird)
5. O veredicto (The verdict)

Embora tenham ficado de fora da lista, merecem ao menos citação: O reverso da fortuna (Reversal of fortune) e Muito mais que um crime (The music box). Um dia, quem sabe, alguma distribuidora há de lançar Testemunha de acusação em dvd.

segunda-feira, fevereiro 28

Era inevitável. Eis os meus pitacos sobre o Oscar:
Deviam extinguir o prêmio de melhor canção, ninguém merece ver três números musicais com Beyoncé (acho que é assim que se escreve).
Deviam proibir os discursos de agradecimento, ninguém merece ouvir todo aquele palavrório. Esse Jamie Foxx é um tremendo cara-de-pau, aquela referência "emocionada" à sua vovozinha já acontecera no Globo de Ouro e no SAG; um caso clássico de lágrimas de crocodilo. A Hilary Swank até começou bem, relembrando a origem white trash, mas depois caiu na esparrela de agradecer advogados, agentes e empresários. Falou pelos cotovelos à toa.
A Gwyneth Paltrow entregou o prêmio de melhor filme estrangeiro, mas como todos sabem "Diários de motocicleta" não estava entre os concorrentes. O curioso é que antes da cerimônia, em entrevista à CNN, ela citou os dois filmes que mais gostou no último ano: um cujo título eu não entendi e o outro era justamente o Diários. Tá vendo só? E o Walter Salles vive malhando a moça porque ela levou o Oscar no lugar da Fernanda Montenegro. Ao menos ela não guardou rancor.
E a filha, eu suponho, do Sidney Lumet? Impressionante. Não é à toa que ele continua trabalhando aos 80 anos, afinal alguém precisa pagar pelos implantes da bem fornida jovem.
A Natalie Portman é a Winona Ryder do século 21. Ambas têm um tipo delicado, usam cabelo curtinho, são adoradas pelos geeks e usam roupas esquisitas no Oscar.
Bem que podiam dar um tempo na correção política, a premiação ficou parecendo aquelas campanhas publicitárias da Benetton com brancos, negros, latinos e orientais em total comunhão. Pra piorar, ainda colocam a Penélope Cruz no palco, sendo que seus "feitos" no cinema se resumem a namorar o Tom Cruise e co-estrelar um filme com o Murilo Benício (!!!).
A Kate Winslet estava um absurdo de tão bonita. Quando assisti "Almas gêmeas" no saudoso Estação Cinema 1 (que o Xexéo injustamente acusava de cheirar a mofo), não poderia imaginar que ela e o Peter Jackson se tornariam grandes nomes do écran (não resisti). Mas que ela já era um pitéu na época, isso era.

terça-feira, janeiro 25

De nada adiantou ter lugar na segunda fileira do ônibus. A Lei de Murphy entrou em ação e, contra todas as probabilidades, acomodou as duas únicas crianças do ônibus bem na minha frente. E o pior, pertenciam à espécie mais comum de criança: a que tem bicho-carpinteiro no corpo. Podem me acusar de radicalismo, mas sou da opinião de que criança chata (o que é quase um pleonasmo) devia seguir viagem no bagageiro. Para escapar da cacofonia produzida pelas insuportáveis criaturas, fiz o que qualquer um faria: botei o fone no ouvido e só o tirei no término da viagem. Bem mais difícil foi ignorar o rosto de nariz ranhento que teimava em surgir sobre o encosto da poltrona. O jeito era fechar os olhos ou observar, com falso interesse, os detalhes do teto do ônibus.
Logo no início do trajeto o motorista chegou a ameaçar uma ultrapassagem ousada, mas desistiu em seguida. Neste exato instante, a Isobel cantava no fone: But still I hesitate because of fear. Achei uma coincidência engraçada. Se fosse ensaiado não teria a mesma sincronia. Já na serra de Petrópolis, ao encarar uma curva perigosa, o motorista tentou ultrapassar um caminhão gigantesco e quase meteu o ônibus no meio do monstrengo. Não satisfeito, incorporou o Satoru Nakajima e tentou dar um X num caminhãozinho invocado que o deixara para trás. Tomou uma fechada desmoralizante e, finalmente, sossegou o facho. Como o fone estava ocupado por Ride, Placebo, HOL e outros suspeitos usuais, o Morrissey foi impedido de fazer o comentário óbvio: And if a ten ton truck kills the both of us. Acho que me faltou presença de espírito.